Profa. Dra. Eloara V. M. Ferreira A. S. Campos
CRM-SP: 103.072, RQE: 68.038 (Pneumologia)
Pneumologista/Fisiologista do Exercício. Professora Adjunta da Disciplina de Pneumologia, Coordenadora dos Programas de Função Pulmonar e Fisiologia Clínica do Exercício e de Reabilitação Cardiopulmonar em Hipertensão Pulmonar e Médica do Setor de Doenças da Circulação Pulmonar, da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM).
O transplante de pulmão já é um tratamento reconhecido por aumentar o tempo e a qualidade de vida de pacientes com doenças pulmonares graves,1 como a hipertensão arterial pulmonar (HAP) moderada a grave,1 especialmente quando outros tratamentos já não têm mais o efeito esperado.2 A indicação do transplante exige uma avaliação bem executada para garantir que o paciente apresente uma perspectiva de ser submetido à cirurgia com sucesso.1 Por isso, você precisará apresentar boa condição clínica para submeter-se à cirurgia, para que esse procedimento tenha chance de dar certo!1
Apesar da existência de diversos medicamentos para o tratamento da HAP, essa doença continua sendo progressiva e pode levar à morte.2 Quando a pessoa com HAP não melhora nem mesmo com os tratamentos medicamentosos disponíveis, o transplante pulmonar se torna uma opção importante, já que ajuda a aliviar os sintomas decorrentes da doença e propicia mais tempo de vida.3
Avaliações necessárias
EXAMES NECESSÁRIOS PARA AVALIAÇÃO PRÉ-TRANSPLANTE PULMONAR
Análises laboratoriais
Exame de sangue e das funções renal, hepática e tireoidiana;
investigação de possível infecção pulmonar e/ou sistêmica.
Avaliação da função pulmonar
Exames de imagem do pulmão;
cateterismo cardíaco direito.
Adaptada de: Camargo PCLB, et al.1
Caso haja indicação para avaliação pela equipe de transplante, alguns exames precisarão ser solicitados, alguns dos quais você possivelmente já realizou. Entre eles, incluem-se exames de sangue para avaliação da função dos rins, do fígado e da tireoide, bem como para descartar possíveis infecções pulmonares e sistêmicas que contraindiquem o transplante.1 Adicionalmente, poderão ser solicitados exames para avaliar a função dos pulmões e do coração, como o exame do sopro (para avaliar a função pulmonar), de imagem do pulmão e do coração, como tomografia do tórax, ecocardiograma (ECO) e ressonância cardíaca, além do cateterismo cardíaco direito.1
É importante ressaltar que nem todos os pacientes são candidatos ao transplante pulmonar e que existem algumas contraindicações que precisam ser avaliadas.1
Contraindicações absolutas
História recente de câncer (exceto alguns tipos de câncer de pele tratados adequadamente).1
Histórico de tabagismo recente ou uso de substâncias ilícitas (drogas).1
Infecção por vírus da imunodeficiência humana (HIV, na sigla em inglês) com carga viral detectável e baixa adesão ao tratamento.1
Presença de infecção ativa por Mycobacterium tuberculosis.1
Doença cardiovascular grave ou outras comorbidades que aumentem significativamente o risco de realizar o procedimento.1
Adaptada de: Camargo PCLB, et al.1
Contraindicações relativas
Idade avançada (geralmente >65 anos).1
Obesidade (IMC ≥30 kg/m2) ou desnutrição grave.1
Infecção ativa por vírus da hepatite B ou C, com sinais de doença hepática avançada.1
Falta de suporte social, familiar ou psicológico adequado para o pós-transplante.1
Para isso, o paciente com HAP candidato ao transplante pulmonar será avaliado individualmente por uma equipe multidisciplinar especializada, que inclui pneumologista, infectologista e cirurgião torácico, assim como por profissionais das áreas de enfermagem, nutrição, fisioterapia, psicologia e serviço social.1
Mas é preciso dizer que, se você for submetido ao transplante, alguns cuidados essenciais deverão ser tomados e, lembre-se, você continuará a ser acompanhado regularmente pela equipe multidisciplinar responsável pelo transplante!1
O sucesso do seu transplante pulmonar dependerá de cuidados rigorosos no período pós-operatório, dentre eles:1
Uso de medicamentos chamados de imunossupressores: esses medicamentos são de uso contínuo para prevenir que o seu corpo não aceite o novo órgão, o que chamamos de rejeição.1
Prevenção de infecções: uso de antibióticos durante e depois da cirurgia.1
Monitoramento: acompanhamento regular, com exames de função pulmonar, broncoscopia e biópsia, para detectar sinais precoces de rejeição ou infecção nos seus novos pulmões.1
Reabilitação pulmonar: participação no programa de fisioterapia respiratória para melhorar sua capacidade funcional e sua qualidade de vida.4
A adesão rigorosa ao tratamento e o acompanhamento médico são fundamentais para o sucesso a longo prazo do seu transplante.1
E você sabe qual a real situação de nosso país em relação ao transplante pulmonar?
Conforme dados de outubro de 2025 do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), o número de pacientes que aguardam na lista de espera para transplante pulmonar no Brasil é de 250 indivíduos, sendo 44% homens (110) e 56% mulheres (140).5 A distribuição de órgãos no Brasil segue critérios técnicos rigorosos, estabelecidos pelo SNT.6 A lista para transplantes é única e vale tanto para os pacientes do Sistema Único de Saúde quanto para os da rede privada. A lista de espera por um órgão funciona baseada em critérios técnicos, em que a tipagem sanguínea, compatibilidade de peso e altura, compatibilidade genética e critérios de gravidade distintos para cada órgão determinam a ordem de pacientes a serem transplantados. Quando os critérios técnicos são semelhantes, a ordem cronológica de cadastro, ou seja, a ordem de chegada, funciona como critério de desempate. Pacientes em estado crítico são atendidos com prioridade, em razão de sua condição clínica.7
Todos os anos, muitas vidas são salvas pela doação de órgãos para transplante.6
Doação de órgãos:
sim, precisamos falar sobre isso!7
Referências: 1. Camargo PCLB, Teixeira RHOB, Carraro RM, et al. Transplante pulmonar: abordagem geral sobre seus principais aspectos. J Bras Pneumol. 2015;41(6):547-53. 2. Savale L, Le Pavec J, Mercier O, et al. Impact of high-priority allocation on lung and heart-lung transplantation for pulmonary hypertension. Ann Thorac Surg. 2017;104(2):404-11. 3. Humbert M, Kovacs G, Hoeper MM, et al.; ESC/ERS Scientific Document Group. 2022 ESC/ERS Guidelines for the diagnosis and treatment of pulmonary hypertension. Eur Respir J. 2023;61(1):2200879. 4. Langer D. Rehabilitation in Patients before and after Lung Transplantation. Respiration. 2015;89(5):353-62. 5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Comunicação Social. Lista de Espera. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNmMyOTVlZGEtYzdhNC00ZDEzLWJhZDYtMDg1ZGYwY2M5MTQzIiwidCI6IjMyMjU1NDBiLTAzNDMtNGI0Ny1iMzk2LTMxMTYxZTdiODMyMyJ9. Acessado em 3 de outubro de 2025. 6. Brasil. Ministério da Saúde. Sistema Nacional de Transplantes. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/composicao/saes/snt. Acessado em 3 de outubro de 2025. 7. Brasil. Secretaria da Comunicação Social. Como funciona a lista de transplantes de órgãos no Brasil? Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/fatos/brasil-contra-fake/noticias/2023/08/como-funciona-a-lista-de-transplantesde-orgaos-no-brasil. Acessado em 17 de outubro de 2025.
Este material informativo não substitui a conversa com um médico, pois apenas esse profissional poderá te orientar sobre a prevenção de doenças e o uso adequado de medicamentos. Não tome nenhum medicamento sem ter recebido orientação médica.
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